Nacional
Vorcaro deixa sala especial da PF e é levado para cela comum em Brasília
PF endurece custódia do banqueiro em meio às negociações de delação premiada
Por Jornalista Isabela Oliveira ·

Preso preventivamente há cerca de dois meses, o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi transferido nesta segunda-feira (18) para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A mudança ocorreu após ele permanecer em uma sala especial utilizada anteriormente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante período de custódia na corporação.
De acordo com informações confirmadas por investigadores da PF, a transferência atende às normas internas aplicadas a presos mantidos na unidade. Com isso, Vorcaro passou a ocupar um espaço destinado a detentos em trânsito pela superintendência.
Pessoas próximas ao banqueiro afirmam que a nova cela possui estrutura mais limitada, com restrições em acomodação e uso de banheiro. Além da alteração no local de custódia, a Polícia Federal também endureceu o controle sobre as visitas de advogados, que agora seguem horários específicos e regras mais rígidas de acesso.
Vorcaro foi preso novamente no dia 4 de março deste ano durante a Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master.
A mudança acontece em meio às negociações para um possível acordo de delação premiada. Segundo apurações, investigadores consideram insuficiente a primeira proposta apresentada pela defesa do banqueiro em maio.
Integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República avaliam que o empresário ainda não apresentou informações consideradas relevantes diante do volume de provas já reunidas nas investigações, especialmente conteúdos extraídos de celulares apreendidos.
Entre os episódios que teriam ficado de fora do primeiro rascunho da colaboração estão supostos benefícios concedidos ao senador Ciro Nogueira, incluindo viagens e uso de imóvel em São Paulo. A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade.
Outro ponto citado nas investigações envolve o senador Flávio Bolsonaro, que teria mantido conversas com Vorcaro sobre o financiamento de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. O parlamentar reconheceu contatos com o banqueiro, mas também negou ilegalidades.
A pressão sobre Vorcaro aumentou após a prisão de seu pai, Henrique Vorcaro, apontado pela PF como operador financeiro do grupo investigado. Segundo a corporação, ele teria participado da ocultação de valores bilionários e atuado em ações de intimidação contra adversários do empresário. A defesa considera a prisão “desnecessária” e “grave”.