Política
Vorcaro cita suposto repasse de R$ 30 milhões para documentário sobre Lula
PF e PGR rejeitaram proposta de delação por falta de provas.
Por Jornalista Isabela Oliveira ·

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, teria mencionado um suposto repasse de R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações foram divulgadas pela revista Veja nesta sexta-feira (9) e fariam parte de uma proposta de delação premiada apresentada pela defesa do empresário à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a reportagem, o relato envolveria supostas negociações com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, relacionadas à possibilidade de acesso do Banco Master a recursos de fundos de pensão de servidores públicos federais. A proposta mencionaria uma articulação para captar investimentos de instituições como Previ, Petros e Postalis, além da Caixa Asset, com uma suposta comissão de 10% sobre os valores captados.
A Polícia Federal (PF) e a PGR, entretanto, rejeitaram a proposta de colaboração por considerarem insuficientes os elementos apresentados para sustentar as acusações. Fontes ligadas às tratativas também afirmaram que os áudios mencionados na reportagem não teriam sido entregues oficialmente durante as negociações, levantando questionamentos sobre a origem e a autenticidade do material.
Ainda conforme a publicação, mensagens atribuídas a Vorcaro mencionariam tentativas de interlocução com integrantes do governo federal, incluindo o ministro Alexandre Padilha, por meio de intermediários. O Banco Master passou a integrar, em abril de 2024, a lista de instituições habilitadas a operar com fundos estatais, mas as operações relatadas não teriam avançado conforme o planejado.
Procurado pela revista, Lula negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro e afirmou não ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Padilha também negou relação com o ex-banqueiro. Até o momento, as alegações sobre o suposto repasse não foram acompanhadas de provas públicas suficientes, e a rejeição da delação não representa, por si só, uma decisão judicial definitiva sobre os fatos relatados.