Portal Luandê Notícias

Policial

PF realiza operação contra esquema de mineração ilegal de ouro no interior da Bahia

Mandados foram cumpridos em Santaluz em investigação que aponta uso de substâncias tóxicas e prejuízo ambiental milionário

Por Jornalista Isabela Oliveira ·

Imagem Reprodução/Polícia
Imagem Reprodução/Polícia

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (9), a Operação Repasse, com foco no combate à mineração ilegal de ouro no município de Santaluz, no interior da Bahia. A ação contou com o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

De acordo com a corporação, a operação é um desdobramento de investigações anteriores que deram origem às operações “Garça Dourada”, “Serra Dourada” e “Lixiviação”, realizadas entre 2023 e 2024. As apurações apontam que um grupo criminoso atuava há anos na extração irregular de ouro na região, com atuação estruturada e contínua.

Segundo a investigação, os suspeitos teriam evoluído da extração clandestina para a montagem de laboratórios destinados ao processamento de rejeitos oriundos de garimpos ilegais. Nesses locais, o material era submetido a processos químicos industriais, como a lixiviação, para a retirada do ouro.

O procedimento utilizava substâncias altamente tóxicas, como cianeto de sódio e cianeto de potássio, cujo uso e comercialização são controlados por órgãos federais. O emprego desses compostos representa risco elevado à saúde humana e ao meio ambiente.

Relatórios periciais indicam que os danos ambientais causados pela atuação do grupo ultrapassam R$ 180 milhões. Nesta fase da operação, o objetivo foi apreender bens já sequestrados judicialmente, além de recolher outros materiais que possam contribuir com o avanço das investigações.

Os investigados respondem por crimes como usurpação de bens da União, associação criminosa, extração ilegal de recursos minerais, posse de artefatos explosivos, uso e armazenamento de substâncias tóxicas e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 29 anos de reclusão.

A operação também contou com atuação na capital baiana, Salvador, onde as investigações têm desdobramentos relacionados à estrutura financeira e logística do grupo.