Nacional
PF aponta suposto esquema de propina de R$ 146 milhões envolvendo ex-presidente do BRB
Prisão foi autorizada pelo STF durante nova fase de operação que investiga fraudes financeiras
Por Jornalista Isabela Oliveira ·

A Polícia Federal afirmou que o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, teria articulado o recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a prisão do ex-gestor nesta quinta-feira (16), no âmbito da quarta fase da Operação Compliance.
De acordo com as investigações, o valor teria sido negociado com o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e pago por meio da transferência de imóveis de alto padrão localizados em São Paulo e Brasília. Até o momento, os investigadores afirmam ter identificado o repasse de pelo menos R$ 74 milhões.
A Polícia Federal aponta ainda que o restante da quantia não foi pago após o empresário tomar conhecimento da existência de uma investigação sigilosa. Segundo os autos, a suspeita é de que essa informação tenha chegado antes mesmo do envio formal de documentos, o que levou à interrupção dos repasses.
Outro investigado, o advogado Daniel Monteiro, também foi preso. Ele é apontado como intermediário no esquema e teria recebido, diretamente, cerca de R$ 86,1 milhões.
Na decisão, o ministro André Mendonça destacou que as prisões preventivas se justificam pela continuidade das práticas de ocultação de patrimônio, risco de interferência nas investigações e possibilidade de reorganização do suposto esquema financeiro.
As apurações indicam que, como contrapartida, o então presidente do BRB teria utilizado recursos da instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal para adquirir carteiras de crédito consideradas irregulares do Banco Master. Estima-se que ao menos R$ 12,2 bilhões em ativos problemáticos tenham sido negociados, embora o valor total ainda esteja em análise.
A Operação Compliance segue investigando um possível esquema estruturado para a criação e venda de carteiras de crédito fictícias, com prejuízos significativos ao sistema financeiro.