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PF aponta supostas vantagens a Jaques Wagner em investigação; senador nega irregularidades

Decisão do STF autoriza nova fase da Operação Compliance Zero com base em apurações da Polícia Federal

Por Jornalista Isabela Oliveira ·

Imagem Reprodução/internet
Imagem Reprodução/internet

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, foi fundamentada em elementos reunidos pela Polícia Federal. A investigação aponta indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria recebido vantagens indevidas no âmbito do caso, incluindo um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões.

Segundo a apuração da PF, o imóvel estaria localizado no residencial Poème Horto, no bairro do Horto Florestal, área nobre de Salvador. O suposto benefício teria sido oferecido pelo banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, que teria participado da negociação envolvendo a unidade imobiliária.

Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e afirmou estar tranquilo diante da investigação. O senador declarou ainda que não é réu no processo e disse que os fatos citados pela PF não configuram crime.

Na decisão, o ministro André Mendonça destacou que a Polícia Federal apresentou “elementos indicativos de recebimento de vantagens econômicas indevidas”, que poderiam ter sido feitas de forma direta ou indireta, envolvendo pessoas próximas e estruturas ligadas ao grupo investigado.

De acordo com os investigadores, a relação entre o senador e o banqueiro seria antiga e próxima, o que teria facilitado possíveis tratativas envolvendo interesses privados do Banco Master. A PF também afirma que Wagner teria encaminhado informações sobre o empreendimento ao empresário, incluindo contato de corretor responsável pela venda do imóvel.

A investigação aponta ainda que, a partir desses dados, o banqueiro teria acionado intermediários ligados ao grupo empresarial e financeiro investigado para viabilizar a compra do apartamento. A negociação, segundo a PF, teria contado com a participação de operadores financeiros e pessoas vinculadas ao núcleo jurídico e empresarial do Banco Master.

O senador reconheceu conhecer Augusto Lima há anos, mas negou qualquer ligação com o Banco Master ou com outros investigados, afirmando ter se encontrado com alguns deles apenas em ocasiões pontuais. Wagner também confirmou ter solicitado ao banqueiro que adquirisse o imóvel com a intenção de uma possível recompra futura.

“Eu tinha interesse de ajudar a minha filha a comprar um apartamento destes. Como o Guga é investidor, pedi que ele comprasse, e depois eu recompraria”, afirmou o senador, ressaltando que não houve transferência de patrimônio para seu nome.

Outras suspeitas citadas pela PF

Além do apartamento, a Polícia Federal aponta que o senador teria sido beneficiado com outros supostos repasses, incluindo valores que ultrapassariam R$ 5,5 milhões destinados à BN Financeira, empresa administrada por familiares do parlamentar.

A investigação também cita o uso de aeronaves custeadas pelo banqueiro e pelo Banco Master, além de ingressos para eventos internacionais. Parte das informações teria sido obtida a partir da análise de celulares apreendidos durante fases anteriores da operação.

A PF ainda menciona mensagens e registros que indicariam a organização de viagens e encontros entre os envolvidos, incluindo deslocamentos em aeronave particular e convites para eventos no exterior. Segundo os investigadores, os dados fazem parte do conjunto de elementos analisados na representação enviada ao STF.

O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.