Política
Lula afirma ter barrado assessor de Trump no Brasil em meio a impasse diplomático
Durante agenda no Rio de Janeiro, presidente afirmou que entrada do assessor norte-americano dependerá da liberação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Por Redação LuandêFM ·

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o assessor do governo norte-americano Darren Beattie não poderá entrar no Brasil enquanto os Estados Unidos não liberarem o visto do ministro da Saúde Alexandre Padilha.
A declaração foi feita durante agenda oficial no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, onde o presidente participou da inauguração de obras na unidade de saúde.
Segundo Lula, a decisão foi tomada em resposta à situação envolvendo o visto do ministro brasileiro.
“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde”, afirmou o presidente.
Visita prevista ao Brasil
A viagem de Darren Beattie ao Brasil estava prevista para ocorrer na semana do dia 16. De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o assessor participaria do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos.
Nos bastidores, porém, também havia a expectativa de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está detido no quartel do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
O encontro chegou a ser solicitado pela defesa do ex-presidente ao Supremo Tribunal Federal. Inicialmente autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, o pedido acabou sendo revogado após manifestação contrária do Ministério das Relações Exteriores.
Situação do visto de Padilha
A situação diplomática envolve uma decisão tomada em agosto de 2025 pelo então secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que anunciou a revogação dos vistos de Alexandre Padilha, de familiares e de autoridades ligadas à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
A medida foi interpretada como uma retaliação à participação de Padilha na criação do programa Mais Médicos, lançado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
Autoridades norte-americanas alegaram que o programa teria beneficiado, de forma indireta, o governo cubano por meio do envio de profissionais de saúde da ilha.
Restrições em viagens oficiais
Após a revogação do visto, Padilha chegou a receber autorização limitada para entrar nos Estados Unidos durante a Assembleia-Geral da ONU, em setembro de 2025. Na ocasião, ele poderia permanecer apenas nas dependências do hotel e no trajeto até a sede das Nações Unidas.
Diante das restrições, o ministro acabou cancelando compromissos oficiais que estavam previstos no país.
Mesmo com tentativas recentes de reaproximação diplomática entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, as restrições ao visto de Padilha permanecem em vigor.
Informações: Congresso Em Foco
Foto: Ricardo Stuckert