Esportes
Governo do Irã anuncia que seleção não participará da Copa do Mundo de 2026
Declaração foi feita em meio ao agravamento do conflito envolvendo os Estados Unidos, um dos países-sede do torneio
Por Redação LuandêFM ·

O ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donyamali, afirmou que a seleção masculina do país não participará da Copa do Mundo de 2026. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (11) durante entrevista à televisão estatal iraniana.
Segundo o ministro, a decisão está relacionada ao atual cenário de tensão internacional envolvendo o país. O governo iraniano acusa os Estados Unidos e Israel de realizarem ataques aéreos que ampliaram o conflito na região e teriam provocado a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Durante a declaração, Donyamali afirmou que, diante do contexto político e militar, o Irã não considera possível disputar um torneio que terá jogos realizados em território norte-americano.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada entre 11 de junho e 19 de julho e terá como sedes os Estados Unidos, o México e o Canadá. No sorteio da fase de grupos, realizado em dezembro do ano passado, a seleção iraniana havia sido colocada no mesmo grupo que Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
De acordo com o calendário inicial da competição, todas as partidas da equipe iraniana na fase de grupos ocorreriam nos Estados Unidos, sendo duas em Los Angeles e uma em Seattle.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou recentemente que recebeu garantias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a seleção iraniana seria autorizada a disputar o torneio no país, apesar da crise internacional.
Caso um país anfitrião impeça a participação de uma seleção classificada, a FIFA pode aplicar sanções ou até retirar o direito de sediar a competição. Um episódio semelhante ocorreu em 2023, quando a Indonésia perdeu a organização da Copa do Mundo Sub-20 após se recusar a receber a seleção de Israel, levando a entidade a transferir o torneio para a Argentina.
O futebol iraniano também vive outro episódio de tensão envolvendo a seleção feminina. Durante a Copa Asiática disputada na Austrália, sete jogadoras decidiram permanecer no país após o fim da competição e receberam vistos humanitários do governo australiano.
Inicialmente, todas haviam optado por permanecer no exterior, mas uma delas decidiu retornar ao Irã posteriormente, alegando receio de possíveis consequências.
A televisão estatal iraniana chegou a classificar as atletas que permaneceram fora do país como “traidoras em tempo de guerra”, após elas não cantarem o hino nacional antes de uma partida do torneio.
Autoridades iranianas também acusaram os Estados Unidos de interferência no caso e afirmaram que as jogadoras teriam sido pressionadas a permanecer na Austrália.