Nacional
Governo admite falta de votos para indicação de Jorge Messias ao STF
Base governista admite não ter votos suficientes no Senado para aprovar indicação neste momento.
Por Redação LuandêFM ·

A possível indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) deve ficar para depois das eleições de outubro. A avaliação é compartilhada por aliados da cúpula do Senado e por líderes do governo, que reconhecem dificuldades para reunir, neste momento, os votos necessários para aprovar o nome do jurista.
Nos bastidores do Congresso, governistas afirmam que o cenário eleitoral tem influenciado diretamente o ambiente político no Senado. A entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial tende a intensificar a polarização e aumentar o risco de derrotas simbólicas para o governo em votações importantes.
Segundo um líder governista ouvido pela imprensa, a oposição poderia utilizar a votação da indicação como forma de demonstrar força política contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que levaria o governo a preferir um cenário menos tensionado para tratar do tema.
Relação entre Lula e Alcolumbre
Outro fator que pesa para o adiamento é o distanciamento político entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A relação entre os dois ficou abalada após o presidente da República optar por indicar Jorge Messias ao STF, decisão que contrariou parte da cúpula do Senado. Nos bastidores, o nome preferido por senadores era o de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Congresso.
Interlocutores do governo afirmam que Lula e Alcolumbre devem conversar para tentar reduzir as tensões políticas. A expectativa é que o encontro sirva para reaproximar os dois líderes e facilitar futuras articulações no Senado.
Falta de votos no Senado
Mesmo com apoio de parte da base governista, líderes admitem que o nome de Jorge Messias ainda não reúne os 41 votos necessários para aprovação na Casa.
Diante disso, a estratégia do governo tem sido adiar o envio da indicação formal ao Senado até que o ambiente político esteja mais favorável, especialmente após o período eleitoral.
Aliados do governo avaliam que, com o fim da disputa nas urnas e um clima político mais estável, será possível construir uma maioria de apoio para aprovar o nome do advogado-geral da União para o STF.
Indicação ainda não enviada
Apesar de Lula ter escolhido Messias para a vaga aberta no Supremo, a mensagem oficial de indicação ainda não foi encaminhada ao Senado.
A cadeira ficou disponível após a decisão do ministro Luís Roberto Barroso de antecipar sua aposentadoria da Corte.
Sem consenso político e com o ambiente eleitoral em andamento, a tendência dentro do governo é aguardar os próximos meses antes de retomar a articulação para que o nome de Jorge Messias seja analisado pelos senadores.