Policial
Ficco deflagra operação contra tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro
Ação cumpre 33 mandados em seis estados e mira organização criminosa com atuação interestadual
Por Jornalista Isabela Oliveira ·

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Ilhéus (FICCO/Ilhéus), formada pela Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, deflagrou, nesta terça-feira (31), a Operação Midas, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
A operação contou ainda com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais da Bahia (GAECO).
Ao todo, estão sendo cumpridos 33 mandados judiciais, sendo 20 de busca e apreensão e 13 de prisão, nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe. Na Bahia, as ações ocorrem em municípios como Camacan, Itabuna, Salvador, Irecê, Luís Eduardo Magalhães, Serrinha, Senhor do Bonfim e Andorinha. Em Sergipe, mandados foram cumpridos em Aracaju.
As investigações tiveram início há mais de dois anos, no município de Camacan (BA), e revelaram a atuação ramificada da organização criminosa em diferentes regiões do país.
Durante o trabalho investigativo, foi identificada a remessa de grandes quantidades de drogas e armas do Rio de Janeiro para a Bahia. No sentido inverso, havia o envio de dinheiro e drogas já beneficiadas como moonrock e haxixe da Bahia para outros estados, especialmente o Rio de Janeiro.
As apurações também localizaram três fazendas no município de João Dourado (BA) utilizadas para o cultivo de maconha. Os locais contavam com estrutura tecnológica e sistema de irrigação permanente, permitindo até três colheitas por ano. Em uma das propriedades, foi encontrado um laboratório equipado com máquinas importadas voltado ao processamento e produção de drogas de alto valor comercial.
No decorrer da operação, foram erradicados e incinerados milhares de pés de maconha, totalizando mais de 15 toneladas da droga. Além disso, foram destruídos equipamentos utilizados na produção ilícita e apreendidos veículos empregados no transporte dos entorpecentes.
As investigações apontam ainda a existência de um esquema complexo de lavagem de dinheiro, que utilizava contas de pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos provenientes do tráfico, dificultando o rastreamento financeiro.
Outro ponto identificado foi a atuação de lideranças criminosas mesmo a partir do sistema prisional, de onde eram emitidas ordens para a prática de crimes. Também foram constatadas dificuldades na captura de alguns investigados, que permanecem foragidos e atuando de forma relevante dentro da organização criminosa.
A ação integrada entre as forças de segurança foi considerada fundamental para o avanço das investigações e o cumprimento das medidas judiciais, reforçando a importância da cooperação institucional no enfrentamento ao crime organizado.