Nacional
Delegados da PF alertam para interferências em investigação sobre o Banco Master
Associação da categoria afirma que decisões do STF estão atrapalhando o trabalho da Polícia Federal no caso.
Por Redação LuandêFM ·

Delegados da Polícia Federal manifestaram preocupação com o andamento da investigação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, apontando que decisões tomadas no Supremo Tribunal Federal (STF) estariam interferindo diretamente no trabalho técnico da polícia.
A manifestação foi divulgada neste sábado (17) pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que classificou o cenário como “manifestamente atípico” ou seja, fora do padrão normal de uma investigação criminal e alertou para riscos à autonomia da PF.
Segundo os delegados, o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, determinou procedimentos como acareações, prazos considerados excessivamente curtos para diligências e até a escolha nominal de peritos, algo que, na avaliação da categoria, não cabe ao Judiciário, mas sim à polícia técnica responsável pelo inquérito.
Para os delegados, esse tipo de interferência pode comprometer a qualidade das investigações e enfraquecer o combate a crimes financeiros, além de gerar insegurança institucional. A entidade afirma que cabe ao Supremo julgar, mas que investigar é atribuição da Polícia Federal, e que a separação dessas funções é essencial para o funcionamento do Estado de Direito.
A associação também relembrou que, em investigações anteriores de grande repercussão, como operações contra corrupção e crimes financeiros, a atuação conjunta entre PF e Judiciário ocorreu sem interferências diretas na condução técnica dos trabalhos, o que, segundo os delegados, garantiu resultados mais sólidos.
Por fim, a categoria afirmou esperar que o STF respeite os limites institucionais e permita que a Polícia Federal conduza a investigação sobre o Banco Master de forma independente, técnica e eficaz.