Política
Delegado que atuou em investigações sobre Bolsonaro é nomeado assessor de Moraes
Portaria assinada por Edson Fachin confirma ida de Fábio Shor para o gabinete do ministro no STF
Por Redação LuandêFM ·

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, nomeou o delegado da Polícia Federal Fábio Alvarez Shor para atuar como assessor do ministro Alexandre de Moraes no STF. A designação foi oficializada por meio de portaria assinada na segunda-feira (9) e publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (10).
Especialista em atividades de contrainteligência, Shor atuou em diversas investigações de grande repercussão conduzidas pela Polícia Federal nos últimos anos. Entre elas estão apurações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo os inquéritos sobre os atos de 8 de janeiro, a investigação sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado e o caso das joias sauditas.
No processo que investigou a tentativa de golpe, o delegado participou do indiciamento do ex-presidente e de outras 36 pessoas. A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República resultou posteriormente na condenação de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
Durante o período em que atuou nas investigações, Fábio Shor também foi responsável por colher depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O militar firmou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e prestou diversos esclarecimentos no âmbito das apurações.
O delegado também esteve envolvido na investigação conhecida como caso da Abin Paralela, que apurou suspeitas de uso irregular da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento de autoridades e adversários políticos durante o governo anterior.
No Supremo Tribunal Federal, Shor passará a atuar no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, auxiliando na análise de processos e ações criminais que tramitam sob relatoria do magistrado.
A nomeação ocorre em um momento em que Moraes está no centro de debates públicos após reportagens que mencionam supostas mensagens enviadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, pouco antes de sua primeira prisão em novembro de 2025.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, o ministro Alexandre de Moraes negou ter sido o destinatário das mensagens mencionadas nas reportagens.
Outro ponto citado nas discussões envolve o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A banca foi contratada pelo Banco Master para prestar serviços jurídicos entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
Em comunicado, o escritório afirmou que prestou serviços de consultoria e atuação jurídica ao banco durante o período, mas destacou que nunca atuou em processos da instituição no Supremo Tribunal Federal.