Cidades
Da dor ao acolhimento: Hellane transforma a própria história em esperança para centenas de famílias no Santa Maria
Após sobreviver à violência doméstica, moradora do bairro Santa Maria criou um projeto social que hoje atende dezenas de famílias com alimentação, saúde e atividades para crianças e adultos.
Por Jornalista Isabela Oliveira ·

O que poderia ter sido o fim de uma história tornou-se o começo de uma missão. A vida de Hellane, conhecida como Amazonas de Santa Maria, é marcada pela superação. Vítima de violência doméstica, depressão e de uma tentativa de feminicídio enquanto estava grávida do próprio filho , ela encontrou forças para reconstruir a própria vida e, hoje, dedica seu tempo a transformar a realidade de outras pessoas.
Moradora do bairro Santa Maria, em Aracaju, Hellane é idealizadora do Instituto Santa Cecília , iniciativa que nasceu da união entre solidariedade, esporte e compromisso social. O espaço se tornou referência na comunidade por oferecer apoio gratuito a famílias em situação de vulnerabilidade.
Hoje, mais de 90 famílias cadastradas recebem atendimento direto da iniciativa. Além disso, outras pessoas chegam ao projeto por indicação, em busca de alimentos, atendimento médico ou apoio social.
No espaço são realizados atendimentos com neurologista, psicólogo, psiquiatra, nutricionista, pediatra e acompanhamento para pacientes que utilizam cannabis medicinal mediante prescrição médica. O projeto também oferece aulas de capoeira, oficinas de culinária, alfabetização para jovens e adultos, barbearia social e distribuição de alimentos.
Além das ações sociais, Hellane também chama atenção para a necessidade de mais investimentos públicos na região. Entre as principais demandas apontadas estão a construção de unidades de saúde, creches, espaços esportivos e políticas públicas voltadas para pessoas com deficiência, autistas e idosos.
A própria história de Hellane também é marcada pela luta pelo direito à educação. Após anos impedida de estudar durante o relacionamento abusivo, ela conseguiu concluir os estudos e hoje busca se capacitar cada vez mais para compreender e atuar na formulação de políticas públicas.
A mulher que um dia enfrentou o medo e o silêncio agora utiliza a própria voz para defender quem mais precisa.