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Autoridades brasileiras não reconhecem preso nos EUA como líder do PCC ou do CV; mandado é por extorsão
Investigadores afirmam que não há registros que confirmem atuação do suspeito nas facções citadas por autoridades norte-americanas.
Por Jornalista Isabela Oliveira ·

A prisão de Felipe Linares de Oliveira Dell Aquilla, conhecido como “Don” ou “Dom”, anunciada pelos Estados Unidos, causou estranhamento entre investigadores brasileiros. O ICE o apontou como ex-integrante ou ex-chefe do PCC e do Comando Vermelho.
No entanto, autoridades de São Paulo, do Rio de Janeiro e órgãos federais afirmam não haver registros que confirmem vínculo relevante do investigado com as facções criminosas.
Segundo a apuração, o mandado que resultou na inclusão do nome de Dell Aquilla na Difusão Vermelha da Interpol é decorrente de uma condenação definitiva por extorsão. A pena fixada foi de nove anos e sete meses de prisão.
O investigado também responde a um processo relacionado a um suposto golpe em um hotel de luxo em Campos do Jordão (SP). O caso tramita à revelia desde 2018, após ele não ser localizado para intimações.
Levantamentos judiciais mostram ainda que Dell Aquilla responde ou já respondeu por acusações de estelionato, ameaça, lesão corporal e outros crimes.
Investigadores afirmam que não há informações de inteligência que indiquem atuação do suspeito como integrante ou liderança de organização criminosa. Também não existem registros de passagem dele pelo sistema prisional paulista.
De acordo com o ICE, Dell Aquilla foi preso após uma perseguição na Carolina do Norte, durante uma fiscalização de trânsito. Ele teria tentado fugir em direção ao México.
As autoridades norte-americanas afirmam que a esposa do investigado estava no veículo e teria sido mantida como refém durante a fuga. O carro acabou sofrendo um acidente antes da abordagem.
Segundo o comunicado, foram apreendidos uma arma de fogo, dinheiro em espécie e celulares. As circunstâncias do caso seguem sendo acompanhadas pelas autoridades brasileiras.
Os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
No Brasil, porém, a legislação antiterrorismo não enquadra facções criminosas nessa definição. O entendimento adotado pelo governo brasileiro é diferente do norte-americano.